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UMIciDADE

Por todos os lados as serras encerram a paisagem: com másculos braços de rochosos músculos oprimem e conformam o curso d'água das velhas estreitando-se entre a (mais que) tricentenária cidade que parece repousar em titânicos seios. A névoa, tal o hálito dum moribundo Prometeu, densa, espessa e cega, empalidece o outro outrora preto: por vezes tensa, anula do olho a função; por outras leve, traz paz aos que a anseiam. Neste ínterim interminável tudo mofa tudo enferruja tudo envelhece permeado por sinuosas minas latejando como o dobrar dos sinos no interior da casas e também das gentes. O sol faz-se inclemente tanta na ausência quanto na convivência. Parece comprazer-se com a própria omissão. O frio - e não "por seu turno" - é a única constante. [ 22/05/2017]

O Ato

À meia luz, livrei-te de tuas roupas e sobre meu colo agora lhe embalo. Entre tuas pernas quase me sufocas quando penetro minha língua em teu regalo. Alheia ao mundo, gemes como louca fazendo estremecer este teu ardente vassalo. Neste ato que é feito de bravia luta e meiga troca teu suor e tuas águas são para mim como sândalo. Gosto quando em tua úmida boca engoles e acaricia-me o rijo falo. Enquanto digo-te luxúrias numa voz rouca levas-me ao gozo, e por fim me calo. .

Às Musas e às Cinzas

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Meus queridos amigos, é com muita honra que venho compartilhar com vocês mais essa conquista, fruto de muito trabalho e da parceria sempre generosa de alguns amados amigos. É o meu livro - meu primeiro livro, de 3 que já tenho escritos - de poesias, intitulado "Às Musas e às Cinzas", que será publicado pela admirável editora Penalux, da qual humildemente passo a compor o "menu" de autores. Aqui está a versão final da capa do livro, feita pela brilhante equipe de designe da editora. Já adianto-lhes que o livro está em vias de ser impresso, e que o lançamento será feito em 2 momentos, nos quais estarei lendo alguns de meus poemas e autografando os exemplares do livro para aqueles que os adquirirem, ainda este ano: primeiramente em minha cidade de origem, Alto Jequitibá, no dia 17 de Outubro e, na semana seguinte, aqui em Ouro Preto, onde atualmente resido, provavelmente no dia 24. Os locais ainda estão sendo definidos, mas, assim que tudo estiver acertado, virei com...

Assim caminha a humanidade...

  Como poeta sou muito "bissexto" Já houve tempos em que eu era mais prolixo, Hoje ando parado com a produção de texto Antes escrevia um poema atrás do outro.   Agora, passo semestres sem um verso. Antes solteiro e desempregado,   (ipso facto) agora casado e servidor efetivado. Acho que se devia à solteirice e falta de estabilidade econômica a minha perdida veia poética. O homem arranja mulher, emprego,   casa, compra cama, guarda-roupa, abre crediário nas Casas Bahia   e se dopa com as mesquinhices da vida... Ô vontade de largar a família, mesmo amando, mulher e filhos, s ó pra isso: sofrer de amor e transformar a dor em poesia! Mas essa é vontade que dá e logo passa! ....................................................................................

Súplica

Leia-me. Não me demoro. Decifra-me, e não me decore. Devore-me, sem que eu espere. Reflita-me, não como um espelho. Repitam-se esses meus erros. Recita-me no cego desespero. Demore-se, ao ler estes versos. Decore, com eles os papéis incertos. E espere. Espere. Espere... .......................................

Com Licença Poética

"Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos -- dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou." (de Adélia Prado)

Poema de Sete Faces

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"Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada. O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás dos óculos e do bigode. Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração. Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo." (de Carlos Drummond de Andrade) *Gauche - palavra de língua francesa que significa torto, esquerdo, mas aqui parece ter a conotaç...