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Às Musas e às Cinzas

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Meus queridos amigos, é com muita honra que venho compartilhar com vocês mais essa conquista, fruto de muito trabalho e da parceria sempre generosa de alguns amados amigos. É o meu livro - meu primeiro livro, de 3 que já tenho escritos - de poesias, intitulado "Às Musas e às Cinzas", que será publicado pela admirável editora Penalux, da qual humildemente passo a compor o "menu" de autores. Aqui está a versão final da capa do livro, feita pela brilhante equipe de designe da editora. Já adianto-lhes que o livro está em vias de ser impresso, e que o lançamento será feito em 2 momentos, nos quais estarei lendo alguns de meus poemas e autografando os exemplares do livro para aqueles que os adquirirem, ainda este ano: primeiramente em minha cidade de origem, Alto Jequitibá, no dia 17 de Outubro e, na semana seguinte, aqui em Ouro Preto, onde atualmente resido, provavelmente no dia 24. Os locais ainda estão sendo definidos, mas, assim que tudo estiver acertado, virei com...

Assim caminha a humanidade...

  Como poeta sou muito "bissexto" Já houve tempos em que eu era mais prolixo, Hoje ando parado com a produção de texto Antes escrevia um poema atrás do outro.   Agora, passo semestres sem um verso. Antes solteiro e desempregado,   (ipso facto) agora casado e servidor efetivado. Acho que se devia à solteirice e falta de estabilidade econômica a minha perdida veia poética. O homem arranja mulher, emprego,   casa, compra cama, guarda-roupa, abre crediário nas Casas Bahia   e se dopa com as mesquinhices da vida... Ô vontade de largar a família, mesmo amando, mulher e filhos, s ó pra isso: sofrer de amor e transformar a dor em poesia! Mas essa é vontade que dá e logo passa! ....................................................................................

Súplica

Leia-me. Não me demoro. Decifra-me, e não me decore. Devore-me, sem que eu espere. Reflita-me, não como um espelho. Repitam-se esses meus erros. Recita-me no cego desespero. Demore-se, ao ler estes versos. Decore, com eles os papéis incertos. E espere. Espere. Espere... .......................................

Com Licença Poética

"Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos -- dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou." (de Adélia Prado)

Poema de Sete Faces

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"Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada. O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás dos óculos e do bigode. Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco. Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração. Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo." (de Carlos Drummond de Andrade) *Gauche - palavra de língua francesa que significa torto, esquerdo, mas aqui parece ter a conotaç...

Poema Torto

Quando nasci, veio um cara de branco desses de letra mal-cuidada me deu um tapa e disse: Chora Leandro, e segue sua vida. Só esqueceu de dizer que chorar de nada adianta. Como também de nada adianta amar, sofrer e se apegar, mas a gente chora, ama, sofre e se apega pra tentar fugir da solidão. Mulheres desfilam derrières e pernas. Homens acompanham com os olhos. Eles se amam, se pagam, procriam. Depois se cansam, se ofendem, machucam. Donde se conclui: a vida é feita de dor embora nem todo parto o seja. Deus meu, deus nosso por que me deste a vida sem perguntar-me se eu lha queria. Vida, vida, louca e velha se eu me chamasse Carlos ou Adélia esses versos seriam melhores e talvez tivessem mais coração. Mundo, mundo, vago mundo, ser gauche é minha condição. Dedicado a Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado. Escrito nos dias 07 e 09 de Setembro de 2012. ..........................................................................................

Advento

Meu poetar é livre e arisco como um pássaro selvagem. Tenho por costume voar por entre raios e nuvens. Em dias calmos e claros ou noites escuras de tormenta levado por minhas asas sem temores me arrisco. E o que vejo é aquilo que só mesmo eu poderia ter visto: um mundo que lateja sob a sombra de minhas penas-palavras. Cada asa minha reflete um pedaço desse mundo meu, em versos curtos como estes. Me assombro e pasmo em cada coisa que vejo-escrevo. Isso que eu vejo niguém antes de mim poderia ter visto. E os que vieram depois não conheceriam tais coisas se eu não ousasse escrevê-las. É um mundo que eu sozinho faço-construo-invento-desfaço como ninho torto de pássaro no alto de um penhasco.